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CONCLUSÃO

Tenho medo e tenho fé.

Aprendi mais
quando desisti.

Agora só observo.

E observando,
permaneço.

Aprendi a saborear a impermanência.

Constante,
única
e louca.

Feira de Santana, 22/04/2021

INSÔNIA

Não gosto do amanhecer.
Muito menos do canto dos galos.

Gosto do que o antecede.

Da manifestação do meu silêncio
perante o sonífero leito dos céticos.

Em meu entretenimento obscuro
cumprimento-me três vezes no espelho

E me entrego às torturas
das horas que me restam

Feira de Santana, 10/04/2020

SOMBRA

Não pretendo agradá-lo

Por mais que eu entenda você,
serei seu contraponto.

Semearei o desespero,
Quebrarei seu equilíbrio.

Você não vai gostar de mim
mas não vai me censurar.

Não pelo que eu digo
Ou lhe confesso.

Mas por que revelo-te,
adorno as tentações
e livro-o das culpas.

Feira de Santana, 10/04/2020

Eu que me encontro
e me perco.

Que aprendi a tear.

Sei ser cego quando posso
sei ser mudo e me calo.

Sei sentir:
me convém.

Não sei ser outro.

Nem sei
se devo.

Feira de Santana, 26/03/2020

DESPACHO

A noite é para os sãos.

Aos que curam feridas
e remoem flagelos:

A madrugada.

Aos sedentos
de almas brandas,

A madrugada.

aos que enterram corpos
e aos que cheiram pó,

nada basta.

Feira de Santana, 26/03/2020

CONSENSO

Na dúbia fugacidade dos homens,
permeio.

Enlouqueço.

Com a paz ameaçada,
aceito tratados.

(Impostos)

Vendo a alma ao diabo.

Feira de Santana, 26/03/2020

CONFLITO

A dor que dilacera
me revela.

Não o que temo,
mas o que nego.

Tampouco o que busco,
mas encontro.

Devasto minha pleura.
Formidável sabor.

Nem caos, nem ordem.

Feira de Santana, 26/03/2020