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CONTRASTE

Tem olho que é cego, 
mas sonha em ver.

Que interpreta errado, 
ou deixa como está.

        - O nada, o acaso 
                e o elementar.

Tem olho valente, 
forjado por natureza,

Quando pode:

            - Suas vontades.

No contraste:

                          - Estrela.


RE-LAÇOS AÇÃO

I

Dependência físico-química,
Submissão permissiva.

-                         - Contrato de 
                                possessão.

(...)

Inversão magnética,
vibrações sintéticas.

Causa particular:

                       - Sócio peculiar.

II

E então incomoda:

                                - Projeção 
                            catastrófica.

Desejo: 

                              - O paladar 
                                        social.


Desfaz o caráter, moral
Necessidade humana, carnal.

Guilhotina a razão, 

                                        banal.


SENDO

Esta ordem maltrata,

(a dos homens).

Desabriga os sensíveis.

Não há ordem nas manifestações.
Nem no divino.

Feira de Santana, 22/04/2021

04:14

Escuto Chorona.

Em minha frente há um abajour
que aponta para uma parede.

Parei.

Tentei ressuscitar um cigarro no cinzeiro,
mas sem sucesso.

Ou não tentei o suficiente.

Então, olhei a parede
- Ela tem uma textura.

Também é um palco
e a estrela é uma mosca
que dança.

feliz ou desesperada, talvez,

mas dança!

Vai e volta,
como quem goza de um holofote.

Me observo,
Não sei se sou herói ou um degradado.

O pensamento me assalta outra vez:

O que seria se não fosse isso?
E se não fosse o que foi?
O que a mosca pensa sobre mim?

(...)

Chego a conclusão que pensamentos são inúteis,
Melhor tentar outro cigarro.

O que importa agora são as canções que me acariciam,
que me fazem companhia,
que me afagam como um abraço de mãe,

e a mosca.

Feira de Santana, 22/04/2021

CONCLUSÃO

Tenho medo e tenho fé.

Aprendi mais
quando desisti.

Agora só observo.

E observando,
permaneço.

Aprendi a saborear a impermanência.

Constante,
única
e louca.

Feira de Santana, 22/04/2021

INSÔNIA

Não gosto do amanhecer.
Muito menos do canto dos galos.

Gosto do que o antecede.

Da manifestação do meu silêncio
perante o sonífero leito dos céticos.

Em meu entretenimento obscuro
cumprimento-me três vezes no espelho

E me entrego às torturas
das horas que me restam

Feira de Santana, 10/04/2020

Eu que me encontro
e me perco.

Que aprendi a tear.

Sei ser cego quando posso
sei ser mudo e me calo.

Sei sentir:
me convém.

Não sei ser outro.

Nem sei
se devo.

Feira de Santana, 26/03/2020

DESPACHO

A noite é para os sãos.

Aos que curam feridas
e remoem flagelos:

A madrugada.

Aos sedentos
de almas brandas,

A madrugada.

aos que enterram corpos
e aos que cheiram pó,

nada basta.

Feira de Santana, 26/03/2020

CONSENSO

Na dúbia fugacidade dos homens,
permeio.

Enlouqueço.

Com a paz ameaçada,
aceito tratados.

(Impostos)

Vendo a alma ao diabo.

Feira de Santana, 26/03/2020

ANTEPASTO

Prefiro a eterna incerteza
de estar aquém
daquilo em que estou.

Pois,

o salto da dúvida
não envaidece os suores

Mas corrobora o labor.

Seabra, 09/08/2019

CIDADE

Nas suas curvas,
o silêncio rompido.

Corrompido.

Em cada canto seu
regozijam-se em flerte
a ganância e a vaidade.

Mas você não perdoa,
você já não se importa,
você não dá a mínima!

Promíscua e compulsiva,
a todos devora!

Em troca da minha devoção,
mil razões que alucinam,
mil certezas inacabadas.

Da música que não se escuta,
um mantra de promessas fúteis
fecunda a loucura dos homens

Feira de Santana, 16/12/2018

CHORO

Saboreio a tez amarga em minha pele:
Meu deslumbre.

Minha eterna penitência,
Já não a temo mais.

Convivo convicto que das dores
brotaram mil rosas.
Mil botões

Num beco fétido e escuro,
em conluio,
o meu pior.

Feira de Santana, 27/11/2018

VÃO

Quando vejo do além surgir franquezas,
é que me contamino,
e ensaio vozes.

Debalde, em riste um coro
a entoar verdades infundadas.
Que nada, nada elucidam.

Nada!
A não ser meus enganos.

Cerro meus olhos,
ergo minha fala:
dou um fim ao propósito
pelo qual ainda permaneço.

E, atento, atiro-me

                                                           ao mar.

Feira de Santana, 16/11/2018

DUPLO

I

Em minha embriaguez
afago feições,
                              danço.


Disfarço e desfaço ritmos


II

Cumprimento o inimigo.
E com um aperto de mão
digo que o amo.

Enquanto são, vivo ilusões.
Verdades ofertadas.

O Black Friday num cardápio ultrapassado.

Prostituído, penso.

E como se houvesse um caminho
distribuo certezas (as minhas).
Mas não suporto minha própria rigidez

BR242, 16/11/2018

VISÃO

Cabem aos inócuos
o metamorfosear.

- Meta-frasear o que adormece.

Aos férteis,
o transcender.

- Trazer de lá pra cá.

Experimentar.

Cabem aos sóbrios solitários,
Interpretar o cosmo.

No pouco que lhe cabe à vista.