Não lastimo minhas dores,
tenho de suportá-las.
Não entrego minhas sentenças
a quem tem piedade.
Cultivo-as.
Mas não as quero (mais).
E por que sei da minha imperfeição
eu teimo.
Feira de Santana, 30/11/2018
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CHORO
Saboreio a tez amarga em minha pele:
Meu deslumbre.
Minha eterna penitência,
Já não a temo mais.
Convivo convicto que das dores
brotaram mil rosas.
Mil botões
Num beco fétido e escuro,
em conluio,
o meu pior.
Feira de Santana, 27/11/2018
Meu deslumbre.
Minha eterna penitência,
Já não a temo mais.
Convivo convicto que das dores
brotaram mil rosas.
Mil botões
Num beco fétido e escuro,
em conluio,
o meu pior.
Feira de Santana, 27/11/2018
PARTIDA
Na altura do umbigo,
o parapeito.
Nas desilusões, mil razões
pelas quais se emancipam as almas.
Pelas dores, a amnésia
que corrobora com o desatino.
Pela coragem,
a covardia do ato consumado.
É fértil a terra, ventre.
o parapeito.
Nas desilusões, mil razões
pelas quais se emancipam as almas.
Pelas dores, a amnésia
que corrobora com o desatino.
Pela coragem,
a covardia do ato consumado.
É fértil a terra, ventre.
que tudo dá
e arrebata.
Feira de Santana, 27/11/2018
e arrebata.
Feira de Santana, 27/11/2018
PASSAPORTE
Meu caminho é sem rotas,
vou descalço.
Paguei em dez prestações
uma verdade vendida a prazo.
Fiquei sem saldo na conta,
mas contente.
Em algum lugar, esqueci meu tabaco,
meu cavalo sem rédeas,
meu crepúsculo.
Esqueci-me de orar.
De fazer as pazes
Comprei uma passagem pro inferno
e ao chegar, dei meia-volta.
─ o diabo em crise lamentava.
Feira de Santana, 24/11/2018
vou descalço.
Paguei em dez prestações
uma verdade vendida a prazo.
Fiquei sem saldo na conta,
mas contente.
Em algum lugar, esqueci meu tabaco,
meu cavalo sem rédeas,
meu crepúsculo.
Esqueci-me de orar.
De fazer as pazes
Comprei uma passagem pro inferno
e ao chegar, dei meia-volta.
─ o diabo em crise lamentava.
Feira de Santana, 24/11/2018
CONVICÇÃO
I
No áspero labor do néscio
há sede e fome.
Tortuosos são os seus caminhos
e suas buscas:
emboscada,
flagelo.
Mas certo de que um deus proverá.
Aquele mesmo que condena,
amaldiçoa
e mata!
No áspero labor do néscio
há sede e fome.
Tortuosos são os seus caminhos
e suas buscas:
emboscada,
flagelo.
Mas certo de que um deus proverá.
Aquele mesmo que condena,
amaldiçoa
e mata!
II
Mas subalterno, prossegue.
Até que a morte lhe chegue
com a dádiva das sete virgens.
Anuncia um holocausto
- incauto, sem censura.
E cumpre o seu dever.
Mas subalterno, prossegue.
Até que a morte lhe chegue
com a dádiva das sete virgens.
Anuncia um holocausto
- incauto, sem censura.
E cumpre o seu dever.
VÃO
Quando vejo do além surgir franquezas,
é que me contamino,
e ensaio vozes.
Debalde, em riste um coro
a entoar verdades infundadas.
Que nada, nada elucidam.
Nada!
A não ser meus enganos.
Cerro meus olhos,
ergo minha fala:
dou um fim ao propósito
pelo qual ainda permaneço.
E, atento, atiro-me
ao mar.
Feira de Santana, 16/11/2018
é que me contamino,
e ensaio vozes.
Debalde, em riste um coro
a entoar verdades infundadas.
Que nada, nada elucidam.
Nada!
A não ser meus enganos.
Cerro meus olhos,
ergo minha fala:
dou um fim ao propósito
pelo qual ainda permaneço.
E, atento, atiro-me
ao mar.
Feira de Santana, 16/11/2018
DUPLO
I
Em minha embriaguez
afago feições,
danço.
Disfarço e desfaço ritmos
II
Cumprimento o inimigo.
E com um aperto de mão
digo que o amo.
Enquanto são, vivo ilusões.
Verdades ofertadas.
O Black Friday num cardápio ultrapassado.
Prostituído, penso.
E como se houvesse um caminho
distribuo certezas (as minhas).
Mas não suporto minha própria rigidez
BR242, 16/11/2018
Em minha embriaguez
afago feições,
danço.
Disfarço e desfaço ritmos
II
Cumprimento o inimigo.
E com um aperto de mão
digo que o amo.
Enquanto são, vivo ilusões.
Verdades ofertadas.
O Black Friday num cardápio ultrapassado.
Prostituído, penso.
E como se houvesse um caminho
distribuo certezas (as minhas).
Mas não suporto minha própria rigidez
BR242, 16/11/2018
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