Escuto Chorona.
Em minha frente há um abajour
que aponta para uma parede.
Parei.
Tentei ressuscitar um cigarro no cinzeiro,
mas sem sucesso.
Ou não tentei o suficiente.
Então, olhei a parede
- Ela tem uma textura.
Também é um palco
e a estrela é uma mosca
que dança.
feliz ou desesperada, talvez,
mas dança!
Vai e volta,
como quem goza de um holofote.
Me observo,
Não sei se sou herói ou um degradado.
O pensamento me assalta outra vez:
O que seria se não fosse isso?
E se não fosse o que foi?
O que a mosca pensa sobre mim?
(...)
Chego a conclusão que pensamentos são inúteis,
Melhor tentar outro cigarro.
O que importa agora são as canções que me acariciam,
que me fazem companhia,
que me afagam como um abraço de mãe,
e a mosca.
Feira de Santana, 22/04/2021
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